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Agora sim, vou ser feliz. Arrumei a casa, limpei o pó, varri o chão, lavei os pratos, empilhados no lava-louça. Pus as roupas velhas na cave, camisolas pequenas demais, vestidos de há dez anos, com florzinhas azuis ou riscas verdes, sandálias com saltos gastos, botas onde os pés me sobram.
Fui às compras com a Mariana. Baixa acima e abaixo, saldos no Chiado e chá num café, cheias de sacos. Vou começar uma vida nova, desimpedida, sem entulho. Vou seguir em frente, numa auto-estrada sem curvas, e digo à Mariana: agora sim.
No cabeleireiro fiz uma permanente, pintei os brancos, ganhei madeixas loiras, olhei-me ao espelho e sorri. Depois da depilação a cera, a Dona Amália, está tão lindinha, toda limpinha, então até à próxima, não corte os seus pelinhos. E eu com as pernas a arder no calor de Julho e a ver que vou ser feliz.
Em casa, sentei-me no sofá, enorme, de pele, coberto com a colcha bordada pela minha madrinha. Liguei a novela da SIC e soube que agora sim, sou feliz.